As máximas históricas das taxas do tesouro direto
Tesouro IPCA+ a 8% e Prefixado a 14% ao ano: entenda o que as taxas históricas do Tesouro Direto significam para você, brasileiro no exterior. Veja simulações reais, compare os títulos e saiba como investir corretamente via conta CNR. Conteúdo de Leonardo Marks, consultor de investimentos especializado em não residentes fiscais.
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Leonardo Marks
6/15/20262 min read
Uma janela que aparece poucas vezes na vida de um investidor
As taxas do Tesouro Direto voltaram a patamares que não víamos há anos. E para quem investe via conta CNR ou contas convencionais, o cenário se torna ainda mais interessante, porque você consegue acessar exatamente esses títulos, com a proteção jurídica adequada para não residentes fiscais.
Para colocar em perspectiva: o IPCA+ 2032 está pagando 8,23% ao ano acima da inflação, o nível mais alto desde que o título estreou. Um aporte de R$ 10.000 hoje se transforma em quase R$ 20.000 líquidos no vencimento, já descontado o Imposto de Renda.
Por que as taxas subiram tanto?
O movimento não é coincidência nem sorte para o investidor, é o reflexo de um ambiente global de incerteza que o mercado está precificando nos títulos brasileiros.
Tensões geopolíticas globais: o conflito entre Estados Unidos e Irã adicionou volatilidade aos mercados internacionais, pressionando expectativas de inflação em cadeia.
Revisão das expectativas de corte da Selic: o mercado passou a projetar queda menor do que o esperado, de 14,50% para apenas 13,50% em 2026 e 11,50% em 2027.
Ano eleitoral: com pesquisas rodando e indefinição política, o prêmio de risco embutido nas taxas longas aumentou de forma relevante.
Inflação acima do esperado: os dados do IPCA recentes surpreenderam para cima, reforçando a demanda por proteção inflacionária nos ativos de renda fixa.
IPCA+ para aposentar. Prefixado para travar rentabilidade.
Os dois títulos estão em patamares excelentes, mas atendem a objetivos diferentes. Entender a diferença é o que separa uma decisão inteligente de uma decisão emocional.
O Tesouro IPCA+ protege o seu poder de compra no longo prazo. Independente de quanto a inflação variar, você garante um ganho real acima dela. Historicamente, IPCA+6% já supera o CDI em mais de 50% e mais que dobra o retorno da Bolsa brasileira em janelas de 15+ anos. Hoje, com IPCA+8%, estamos muito acima desse patamar.
O Tesouro Prefixado trava uma taxa nominal definida hoje. Com o Prefixado 2029 a 14,25% ao ano, você travaria esse retorno por cerca de 3 anos — independente do que acontecer com a Selic ou a inflação. Funciona bem para quem acredita que os juros vão cair e quer "guardar" essa taxa antes da queda.
Para quem pensa em aposentadoria ou formação de patrimônio de longo prazo, minha recomendação estrutural continua sendo o IPCA+ em títulos bullet (sem pagamento de juros semestrais). Títulos bullet reinvestem os juros automaticamente, potencializando o efeito dos juros compostos durante todo o período.

